Não sou professor de filosofia. Sou alguém que precisou aprender a decidir bem — sob pressão, com recursos escassos, lidando com pessoas reais, no exigente mercado brasileiro — e que foi buscar nos autores antigos as respostas que a prática, sozinha, não dava.
Fui artilheiro no Exército Brasileiro e aprendi cedo o valor da resiliência, da disciplina e do trabalho em equipe. O legado da tropa aeromóvel que carrego na mente e no coração é incomensurável. O Exército me ensinou mais do que técnica: formou em mim a compreensão de que o caráter se constrói sob exigência, e que é no fogo mais forte que se forja o aço bom. Tive a honra de ser condecorado com a Medalha Mallet e de deixar a instituição com menção de Honra ao Mérito.
Depois, em São Paulo, vendi gravatas nas ruas. Ali precisei aprender uma forma nova — e talvez ainda mais exigente — de aplicar a mesma disciplina que os treinamentos militares me deram. Trabalhei no comércio, fiz prosperar os negócios de quem me empregou e, em 2012, abri o primeiro negócio que foi meu: uma loja de acessórios de celular que logo se tornou uma franquia da TIM.
Em 2014, adquiri uma empresa falida. Não havia glamour ali — havia contas, medo e teimosia. Nos anos seguintes, nós a reconstruímos até torná-la a Filato Bene: uma rede de sete lojas de moda masculina. O que aprendi sobre liderança naquele chão de loja completou o que a faculdade de administração, os livros e os cursos me deram. Mas foi no estudo aprofundado dos clássicos que tudo mudou.
Em algum momento, percebi que as ferramentas de gestão que eu usava apontavam todas para algo mais antigo: o caráter. Decidir bem não é apenas técnica — é virtude. Foi isso que me levou de volta a Aristóteles, Agostinho, Boécio e Tomás de Aquino, não como ornamento para parecer culto, mas como método para viver, trabalhar e servir melhor.
A palavra que os antigos davam a isso é phronesis: a prudência, a sabedoria prática de deliberar bem sobre o que fazer aqui, agora, neste caso concreto. É disso que trato neste espaço.
Minha convicção mais funda é simples: não se lidera ninguém sem antes liderar a si mesmo — o primeiro e mais difícil dos liderados. Mas o autodomínio nunca é o ponto de chegada; é o ponto de partida.
Eu não. Nós.
O que me move é servir e deixar algo que preste para quem vem depois: na empresa, na comunidade de fé que ajudo a cuidar, pessoa por pessoa, e, antes de tudo, para as minhas filhas, para quem escrevo antes mesmo de escrever para o mundo.
Você vai encontrar aqui ensaios sobre liderança e gestão com fundamento; sobre filosofia e fé aplicadas ao trabalho e à vida; e sobre a formação do caráter — o de fora e o de dentro. Não são teorias de gabinete. É o que aprendo tentando, errando e corrigindo, no comando de uma empresa e no serviço de uma comunidade.
Se você desconfia das fórmulas fáceis e quer pensar mais fundo sobre como viver e conduzir bem, este espaço é seu.
Meu propósito, aqui e na vida, cabe numa frase: despertar o homem para o seu melhor. Nas palavras de Aristóteles, ajudar a transformar potência em ato.
Seja bem-vindo.